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quinta-feira, 20 de março de 2014

Hoje vim falar de mim.



   Estava pensando em como Deus me deu a escrita de presente pra contar — de uma maneira às vezes bem implícita — o que se passa dentro de mim. Ele me deu mais que sentimentos e palavras, me deu fontes de inspiração pra suspirar, juntar as palavras e montar algo que as pessoas leiam e simplesmente se identifiquem.
   Hoje me deu vontade de escrever (mais) sobre algo que eu venho escrevendo — e não necessariamente postando — há muito tempo. Minha caixa de postagens está cheia de rascunhos que eu não tenho coragem de publicar. Ah! Também tem uma caixa de papelão em cima do meu guarda-roupa que é cheia desses textos que eu escrevi e recebi, mas ninguém sabe, não imagina e nunca vai conhecer. Tem coisas que a gente não precisa mostrar ou simplesmente não vale a pena porque perde a graça.
   Lembrei daquela casa, onde passei algumas tardes dando risada, trocando e criando histórias. Muitas delas estão perfeitamente armazenadas no meu coração e, particularmente, são lembranças mais incríveis e fodas que qualquer outro texto meu. Elas são vivas, e simplesmente recordá-las me dá a sensação de voltar no tempo. Senti o cheiro dos lençóis pendurados e o gosto do brigadeiro de panela.
   Lembrei de quando eu dormia n'outro quarto da minha casa, um pequenininho onde mal cabiam meus livros e meus dois violões, contudo era repleto de histórias e ainda sobrava espaço. Ali eu chorei e morri de rir. Vivi amores e sofri decepções. Ali eu sonhei em ser quem eu sou hoje (graças a Deus!) geralmente sentada ao lado da cama, observando aquele céu pouco-estrelado de Sampa e me perguntando se um dia eu ia mesmo conseguir. Valeu, tô conseguindo. Amém. 
   E aquele violão preto (o "Lucas")? Chega a ser engraçado como ele sofreu na minha mão quando eu olhava aquelas seis cordas e não fazia ideia de como montar um som a partir daquilo. Depois de meses praticando toquei minha primeira música  pra mim mesma e depois pras pessoas... Com ela eu toquei corações, fiz pessoas chorarem, fiz corações se apaixonarem, fiz neguinho perder o fôlego e fiz pessoas se inspirarem em mim pra fazerem o mesmo, ainda melhor. Fiz o básico, meu dever.
   Eu tenho escrito muito sobre coisas e pessoas alheias, mas hoje eu preciso olhar um pouco pra dentro de mim e notar que muito mais do que uma garota comum de dezessete anos que estuda, trabalha e sonha em ser alguém, sou uma mulher em estado de construção que merece ser valorizada e merece ter um pouco de si registrado. Hoje eu olhei pras músicas que eu gosto, pras fotos que eu tenho guardadas e pras pessoas que eu amo e vi que simplesmente eu não tenho como falar de mim sem falar delas, é o que sou, quem sou e uma prévia de quem posso ser. Muito mais. Vi que às vezes eu preciso chorar pra valorizar o riso e ter uma decepção pra valorizar o amor, eu preciso perder pra ganhar, eu preciso cair pra aprender a levantar.

    Ninguém é de ferro e muito menos perfeito, com uma vida perfeita.
    Mas todos nós podemos sonhar em ser alguém além de quem somos. 





sábado, 23 de novembro de 2013

Às vezes me pergunto o porquê



Às vezes me pergunto o porquê. Você, eu, você... Eu. Sou tão complicada, você tão certo. Talvez como todos os amores que tive antes, meu oposto foi atraente. Mas você não é tão oposto assim... Você é inalcançável. Eu poderia fazer uma lista de possíveis companhias pras minhas sextas e de confidentes para os meus segredos, e eu não escolheria você. Não porque você não se enquadre, mas porque... Você é inalcançável. Você mora a cinco quadras daqui de casa e mesmo achando perto eu acho longe demais pro meu coração. Eu não sei distinguir quando você me abraça por carinho ou por carisma. Queria saber quando você me olha se admira, repara ou se apenas me vê como eu sou.

Eu não sei se eu sou o que você repararia. Talvez eu precise de uma personalidade mais forte ou de um sorriso mais aparente. Talvez eu precise ser tão carismática quanto você ou tão popular quanto. Eu tenho uma enorme vontade de ser eu mesma e você reparar... Você parar por um segundo e me ver além. Ouvir minha voz no meio do salão, dobrar os joelhos e, quem sabe, pedir ao Criador pra criar uma história pra nós dois. Não tô pedindo uma história perfeita... Só estou pedindo pra ser algo que faça valer a pena a confusão que eu passei, que faça valer a pena as lágrimas que chorei. Deixei um espaço aqui vago pra quem quiser ocupar, mas algo em mim insiste em gritar, dia-após-dia, que esse lugar pode ser todinho seu.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

(Dia dos namorados!) Sinto a brisa..

 


   Uma nova mensagem.
   O tarde estava linda, já chegando à sua fase final: o céu alaranjado em seu topo, recebendo alguns tons roxos que indicavam que a noite estava, aos poucos, entrosando na vivacidade do dia e tomando seu lugar. Era perfeito. O modo como o azul do céu passava por tantas cores para finalmente escurecer. Seria tão fácil... Mas não. Talvez a Lua ou as estrelas quisessem uma pré-estréia triunfal para finalmente serem as protagonistas da noite. Mas para mim, os diversos tons que antecediam a escuridão não eram coadjuvantes. Eram perfeitos. Como se cada cor fosse alma-gêmea da outra, mesmo sendo diferentes, tinham coisas em comum... A sintonia.

   A sintonia...

   Eu tinha a minha sintonia. E estava indo encontrá-la agora mesmo. Linda... Em tudo. Até mesmo nas lembranças ela não perde seu encanto, até mesmo no inalcançável é possível sentir o impacto de tudo o que há de maravilhoso em cada traço de seu rosto, em cada curva de seu corpo. Até mesmo no intocável é possível arrepiar-se com o sentimento de amá-la como eu a amo.

   Seria possível? Seria possível simplesmente sentir a brisa do amor de alguém? Era possível. Todas as vezes que minha mente era povoada pelo seu sorriso, pelas nossas muitas noites de amor, pelo entrelaçar de nossos dedos, pelo toque de suas mãos outrora em meus cabelos... Eu sentia. Sentia cada canto do meu corpo arrepiar-se, desejando estar perto dela cada vez mais.

   Subi a montanha com um buquê de flores nas mãos. Nunca fomos de praças ou cinemas, e ultimamente tivemos que nos adaptar à alguns lugares mais reservados. Passamos a gostar destes acompanhado pelo silêncio que é a forma mais bela que encontramos de nos amarmos sempre. O silêncio às vezes é a melhor forma de se expressar sentimentos. Mas conversamos também. Não somos tão monótonos como parecemos. Nosso amor é baseado muito mais do que em ações, mas em sentidos. Estava um tanto nervoso, ansioso pelo nosso reencontro. Meu amor. Minha sina. Minha menina. Estamos tão próximos que sinto que vou vomitar de tanta ansiedade ou ter um infarto com as batidas frenéticas do meu coração...

   E neste dia, em que todos aqueles que têm seus corações tomados pela presença de alguém. Dia de todos aqueles cujos dedos anelares carregam consigo alianças pratas ou douradas, cujas palavras escapam para expressar muitas vezes a intensidade daquilo que sentem, cuja presença de alguém é crucial para que sua vida possa tornar-se melhor...

   Sinto a brisa...
   Enquanto adentro o velho cemitério das colinas e vejo o meu amor.
   Quieta. Calma. Mais presente dentro de mim, do que nunca antes estivera.

(...)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Conto




  Ele era um príncipe. Só faltava-lhe o cavalo, pois sobre sua gentileza, era incomparável. Tinha um lindo sorriso, um olhar penetrante e atitudes surpreendentes. Não lembro ao certo como nos conhecemos, tenho apenas vagas lembranças de breves palavras, seguidas por uma frenética troca de olhares. Mas eu gostei de tudo entre nós. Gostei dos beijos às escondidas, do romance proibido e da inveja de terceiros. Creio que se não houvesse nada disso, talvez não teríamos durado tanto.
   Me entreguei a você. Contei meus segredos, sonhos e confessei minhas intimidades. Para quê? Você guardou tudo para si, mas não teve o zelo de fazer com que isso durasse. Nem ao menos se importou. As coisas foram fluindo, ora bem, ora mal. Não entendi. Chegou uma hora em que eu tinha receio de me entregar, tinha medo de me arrepender. Houveram tardes em que cogitei me fechar novamente, guardar as novas confissões apenas para mim e não revelá-las nunca mais a ninguém. Mas não seria justo comigo. É difícil para um ser-humano não compartilhar nada com nenhum outro. E isso me entristecia porque pela primeira vez senti que meu porto-seguro talvez não estivesse mais tão seguro assim. Pela primeira vez tive medo de te perder e me perder, tudo junto e ao mesmo tempo.
   Foi então que percebi que já não se tratava mais de eu ou você. Éramos nós. De alguma forma eu tinha uma certeza bem, bem profunda de que você também temia se perder em mim. Entende? Você tinha medo porque duvidava se talvez mais alguém no mundo pudesse te entender como eu. Pudesse confiar em você como eu. Pudesse se abrigar em você, como uma criança se abriga sob'a fantasia de um conto de fadas.

    Então seremos um conto. Serei a princesa e você o príncipe. Ou eu a Lua, e você o Sol. Conectados intrinsecamente pela história no qual o amor nasce sem explicação, se prolonga mesmo diante dos obstáculos e acaba com um final feliz. Ou melhor, simplesmente acaba feliz, sem finais, sem culpas, sem bem-me-queres ou mal-me-queres.



   E você, você é meu príncipe. Ainda que muitas vezes cansado ou até sentindo-se derrotado. Creio que um bom conto não se sustenta apenas de situações felizes. Saiba que te amo, e é por amar-te que prometo estar ao seu lado quando a torre for muito alta, a maldição não se quebrar, o beijo não despertar ou o sapatinho-de-cristal não for encontrado.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Eita!

   Hoje acordei inspirada e com vontade de fotografar um look meu pra vocês. Não sou ligada em moda como muitas blogueiras por aí, mas fica a dica pra quem gostar e quiser se inspirar. :D

Este cardigan comprei por preço de banana, na Lamis esta semana (já comentei da loja neste post).
A saia na verdade é um vestido. Eu sobrepus uma regata pra "parecer" uma sainha florida, hihihi :3
O coturno foi um presente do meu pai, e a gargantilha com crucifixo (amo crucifixos como jóias!) ganhei do meu namorado ♥_♥


Saia/Vestido: Besni | Coturno: Riachuello | Cardigan: Lamis | Regata: C&A

A qualidade ficou ruim nessas fotos :(

    E aí, gostaram? Comentem o post, e não esqueçam de deixar o contato de vocês (blog, site, facebook...) ♥_♥

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Antes que...


   Você me disse todas aquelas coisas, todas aquelas as quais eu nunca desejei ou imaginei ouvir saírem da sua boca. Meses jogados no lixo, dias inteiros e trilhas sonoras completas manchadas pela nódoa da decepção.
    As pessoas costumam dizer que relacionamentos são assim mesmo: cheios de idas e vindas. Mas comigo não é assim, sei que não iremos voltar. Não por nós mesmos, mas porque um relacionamento quebrado será sempre assim... Quebrado e cheio de trincados que nunca poderão ser restaurados novamente. Não dá pra reciclar o coração, não dá pra simplesmente juntar aquilo que é semelhante, adicionar algumas coisas e tentar de novo. As suas palavras nunca serão esquecidas por mim, ainda que eu tenha ouvido uma porção de "Eu te amo's" durante todo esse tempo. As suas atitudes nunca serão apagadas pelas suas desculpas. Não é nem por mim, porque você sabe que a partir do momento em que eu disse meu "sim" para você, queria com toda certeza estar ao seu lado, sem que quaisquer coisas atrapalhassem. O problema é que nem sempre ambos os dois se comprometem de corpo e alma, até que chega uma hora em que não dá mais pra remarcar encontros, esconder decepções, adiar conversas ou ignorar atitudes. Talvez você pense que o problema fui eu, talvez tenha até sido. Mas creia que quando uma pessoa se machuca, ela nunca se fere sozinha.
   Mas eu sei que, na cabeceira da sua cama, você vai pensar em mim. Vai cogitar me ligar ou mandar um sms, vai tentar levantar hipóteses de como estou e se tenho seguido bem sem você. Eu sei que, mesmo que uma outra pessoa um dia tome o lugar que já foi meu — o que é inevitável — você vai perceber que ela age diferente: não pensa como eu, não enfrenta o mundo por você como eu. E isso é bom. Mostra que você achou alguém melhor, que talvez te ame mais e faça mais por você. Ou... Que te ensine a valorizar o que você já teve.
   Portanto, valorize enquanto você ainda tem, antes que seja tarde demais. Antes que o vidro se quebre, antes que as palavras doam e as lágrimas comecem a serem escondidas. Antes que as conversas sejem adiadas. Antes que textos como esse sejam escritos...

segunda-feira, 11 de março de 2013

E eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo!



   Mt 28,17: "Quando viram Jesus, eles o adoraram. Entretanto, alguns duvidaram."


   Annie havia tido uma semana conturbada: seus pais brigaram praticamente todos os dias; na sala nova, ela não havia se enturmado com seus colegas e sua fonoaudióloga disse que às esperanças de que sua voz fosse recuperada, estavam perdidas. Como ela poderia seguir? Mal sabia falar em libras, mal fazia ideia de como se comunicar com o mundo. O que era o mundo para ela, quando este nunca mais ouviria sua voz? Como seria gostar de uma música e não pode cantá-la? Ou então como seria dizer "eu te amo" para alguém? Depois daquele dia, ela nunca mais se imaginou feliz novamente. Tentou, tentou, passou horas inteiras imaginando como seguir a vida, mas sempre obtinha más expectativas, más respostas, más opções. Como ensinar, no futuro, seus filhos a dizerem as primeiras palavras? Como poderia discursar na formatura de sua faculdade? Lágrimas e mais lágrimas caiam de seu rosto. Assim que ouviu o veredito de sua deficiência, prometeu a si mesma que tentaria seguir em frente, da maneira mais normal possível, porém, nem sempre promessas são fáceis de serem cumpridas. Então Annie chorava, se lamentava e perguntava à Deus todo o momento a explicação desta reviravolta em sua vida. Pedia, rezava, ajoelhava-se, gesticulava com os lábios uma oração, ao menos esta, por mais que silenciosa, podia ser ouvida por Alguém. Contudo, embora Annie acreditasse e tentasse perseverar em oração, seus joelhos ardiam e ela desanimava novamente, afundando em lágrimas e questionamentos.


Mt 28,18-19: "Jesus aproximou-se deles e disse: De Deus recebi todo o poder, no céu e na Terra. Portanto, ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"


   Nos dias que se seguiram, Annie continuou enfrentando dificuldades que pareciam nunca terminarem. Não conseguia aprender na escola, não conversava com ninguém da turma e seus colegas antigos haviam se afastado dela, por não saberem como lidar com a situação. O mundo parecia desabar aos poucos e cada vez mais para ela. Foi então que, Lia, a Senhora da Cia de Limpeza, pegou-na chorando no banheiro feminino, durante o horário de aula.
— Menina, você está bem? — Disse ela, num tom preocupado. 
Annie gesticulou que sim. Enxugando às lágrimas com as mãos às pressas, numa tentativa frustada de parecer realmente bem.
— Não fique assim, meu bem. Quer saber de uma coisa?
Annie de cabeça baixa, ainda tentando enxugar as lágrimas, voltou-se para a senhora, fixando seus olhos nela, como uma cessão para que ela dissesse.
— Meu marido tem Alzheimer, sabe o que é isso? É uma doença em que as pessoas esquecem rapidamente e confundem as coisas. Hoje eu sou Lia, sua esposa, porém amanhã uma desconhecida e n'outro dia uma ameaça. Ele já teve diversas crises, foi até internado uma vez, mas não consegui vê-lo longe de casa. Sempre soube que seu lugar era lá, com nossos dois filhos. E o fato de nós sabermos isso, bastava. Sempre o ajudamos a relembrar quem é e a organizar seus pensamentos por meio de fotos, cartas e vídeos. Nunca entendi e sempre me questionei, pois cinco anos depois nos casarmos, ele apresentou os primeiros sintomas. Toda vez em que completávamos mais um ano de casados e ele esquecia, ou quando não lembrava do rosto de seus filhos ou o meu, eu chorava muito. Era difícil, sabia?  Sempre batalhei para sustentar a casa, já que ele nunca pôde trabalhar. Meus filhos, enquanto pequenos, não compreendiam o comportamento do pai,  ainda bem que agora crescidos e com suas respectivas vidas, me ajudam muito. Reclamei, reclamei e me questionei, até o dia em que Deus me deu uma prova viva de Seu amor por mim e pela minha família: Semana passada, completaríamos trinta e três anos de casados, eu estava na cozinha preparando o almoço, quando fui surpreendida por ele na porta da cozinha, com um buquê de rosas nas mãos. Então ele me abraçou e beijou-me a bochecha, dizendo: "Feliz trinta e três anos para nós, Lialinda!".
    Annie se arrepiou, arregalando os olhos, surpresa.
— Tem noção de como foi? Ele nunca lembrou, mocinha. Mas justamente semana passada, após trinta e três anos completos, ele lembrou. Trinta e três é a idade que Jesus morreu na cruz por nós, não pude encarar como outra coisa, senão como um presente de Deus pra mim e minha família. Todos os dias, quando ele acorda e não me reconhece, lembro deste sinal que Deus me deu, significando que nem o Joel, tampouco Ele se esquecem de mim, nem por um segundo sequer.
   As lágrimas caiam dos olhos de ambas. Annie abraçou a senhora e, tirando o celular do bolso, escreveu no bloco de notas "Obrigado :')" e mostrou à senhora. Ela apenas gesticulou positivamente com a cabeça. Annie saiu dali certa de uma coisa: O amor de Deus por ela, era a força suficiente que precisava para seguir em frente e vencer os obstáculos!

(...)

   Nos três meses que se seguiram, Annie aprendeu algumas palavras e expressões em libras e repassava-as para os colegas na sala também, sem se importar com a aceitação deles. Quando não sabia o que falar, escrevia a mensagem no bloco de notas do celular e mostrava a eles. Logo muitos acharam incrível o fato de comunicarem-se em libras, e a ideia se espalhou de tal forma, que a escola abriu uma oficina de libras para alunos que quisessem aprender! Foi uma ótima ideia porque Annie podia aprender com eles!
   As brigas frequentes em sua casa diminuíram. Finalmente seu pai parou de beber e sua mãe de tomar calmantes. As coisas estavam melhorando e Annie agradecia todas as noites pelas forças que recebia, pedindo sempre discernimento para saber usá-las.
   Foi então que, numa celebração eucarística, Annie retirou-se da assembleia após comungar, e foi rezar no Sacrário, onde o Santíssimo estava exposto. Ficou ali por alguns minutos, agradecendo à Deus por sua vida e vitórias mesmo diante das dificuldades. Enquanto ouvia a música que acompanhava o Rito de Comunhão, seu coração acalmava-se, juntamente com a batida da música. E em meio à seus agradecimentos e preces sempre sussurrados, — sabia que Deus a ouvia no seu "silêncio dito" — ao finalizá-los, disse um "Obrigado, Amigo Jesus". Espantou-se, pois ouviu de fato som um tanto rouco saindo de seus lábios! Tentou repetir, e novamente a voz foi ouvida! Lágrimas caiam de seus olhos, e então, num ato de emoção, Annie levantou-se e abraçou o hostensório, como se este fosse Jesus. Sentia uma leveza incrível Nele, como se estivesse de fato abraçando um corpo. Ela repetia "Obrigado Amigo Jesus, Obrigado Amigo Jesus!" foi então que seus pais a ouviram, pois estavam próximos a porta do sacrário, e abraçaram-na, louvando e agradecendo a Deus pelo milagre que haviam acabado de presenciar: a cura de Deus no coração, no físico e na vida de uma pessoa.

(...)

   Annie contou para o mundo seu testemunho. Sua voz nunca voltou completamente, mas ainda assim ela continuou louvando à Deus pela sua cura. Não desistiu da oficina, e espalhou o amor de Deus, contando àqueles que não podiam ouvi-lo ou entendê-lo de fato, por meio de dois idiomas: o de libras, e o da a fé.



Mt 28, 20: "(...) E ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei. E eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo!"

  

 E você? Ainda duvida do amor de Deus por você? Ele está contigo, pelo resto da sua vida! ♥_♥











sábado, 9 de março de 2013

Esse é pra te motivar a sonhar..



   "A lógica do coração é como uma equação esquecida que você encontra na lousa da escola. Só conhecendo pra entender."
   Por quê você sofre tanto? Me diz? O que tanto te fizeram? Não importa, menina. Olhe para si, veja o quanto você pode ser mais: mais confiante, mais bonita, mais alegre... Mais feliz! Seu cabelo afro é lindo, seu olho oriental é diferente, seu sorriso irradia dias inteiros! Não vale a pena sofrer, tampouco desistir de si!
   Uma vez alguém me disse que mudaria seu jeito para conseguir ser feliz... Acredite, não funciona! Se você sabe qual é a sua felicidade, corre atrás dela. Pode ser difícil, o mundo pode ir contra você, vá atrás! Você não será feliz de outro jeito, com outro alguém, em outro lugar! Às pessoas precisam enxergar por trás desse seu sorriso, dessa aparência! Qual o problema em ser homossexual? Em gostar de dançar? Em querer cursar música, ao invés de engenharia? Qual o problema de querer algo que ninguém mais quer? Esse algo prejudica alguém? Não? Então vá atrás!
    A vida está aí, te esperando. Ela tem diversos caminhos, que te proporcionarão centenas de escolhas. Saiba escolher aquilo que te faz bem, sem prejudicar ninguém. Saiba colher um botão de rosa, pra não estragar a roseira inteira. Você é cheio de habilidades e pontos positivos. Quer ser feliz? Você pode. Pode hoje! Não deixe que as críticas estraguem os seus sonhos.









quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Happiness.




Felicidade foi conhecê-la pela primeira vez.

   Ela pediu para que eu me sentasse na poltrona e perguntou se eu queria tomar alguma coisa. Respondi que não tanto por educação, quanto porque não queria incomodar. Sua contentação por me conhecer era explícita e ela sorria o tempo inteiro. A conversa fluiu naturalmente. Logo contei à ela sobre meus pais, meu trabalho e meus interesses pessoais. Partilhamos algumas experiências vividas e ela mostrou-me algumas fotos das viagens que fez e dos lugares em que morou. Não foram muitos. Dois na verdade. Mostrou-me também fotos de sua adolescência, "Eu era como vocês..." dizia. E logo percebi que os traços da idade não haviam tomado seu rosto por completo. Ela ainda parecia jovem e era muito bonita: seus cabelos castanho-claros com algumas luzes louras ressaltavam o brilho de seus olhos igualmente castanhos. Vestia uma blusa de lã verde-lodo e calça jeans. Estava simples e bonita e então dei a ideia de que tirasse uma foto e colocasse como plano de fundo de seu celular que havia comprado poucos meses atrás. Depois levantou-se e foi até a cozinha.. "Vou preparar algo pra vocês comerem!" e em pouco tempo a mesa estava repleta de pães, bolos e outras coisas mais.
    Não era a mais simpática, a mais bonita, a mais rica ou a mais popular. Não estava sempre de bom humor e não concordava com tudo. Muitas vezes precisávamos ajudá-la a segurar a barra porque as coisas não estavam fáceis. Porém, de uma coisa estou certa, ela foi a melhor, ainda que com suas imperfeições. Felicidade era tê-la ali... E eu sinto muito a sua falta.

Isso porque eu nunca a conheci.



Para alguém muito especial. :')

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mar de pipas.



   Subi a Rua das Laranjeiras apressada. O clima no trabalho estava péssimo porque faltavam dois dias apenas para o fechamento da revista. Eu era uma redatora muito preguiçosa e havia deixado para escrever minha coluna no domingo à noite, para aproveitar a praia no resto do fim de semana. Daí que o tema "Molecagens" apresentado na quarta, logo tão cheio de ideias nostálgicas, me era completamente vago e sem inspirações quando me sentei na escrivaninha e abri o editor de texto. Escrevi qualquer porcaria e fui dormir - na hora não parecia porcaria e me soou bastante interessante-. Não sei se você sabe, mas quando se escreve pra uma revista, na qual você é responsável por uma coluna de público geral, não deve escrever algo comum, mas algo que as pessoas leiam e reflitam sobre. Que realmente se sintam parte do texto, e não que as façam virar a página e pular para a seção do horóscopo.

   Meu chefe explodiu quando leu "Que droga é essa, Camilla?!" eu me espantei, porque até então não havia me dado conta do que havia escrito. Ele jogou os papeis sobre a mesa, e tentou não parecer extremamente aborrecido, pediu para que eu lesse tudo na sua frente. Li. E realmente, estava horrível. Não tive nem coragem de pedir à ele mais um dia, pois sabia que era minha obrigação escrever algo que prestasse até amanhã de manhã, algo que ele não demorasse nem trinta minutos para revisar e editar.

   Novamente, mais um dia estressante. No trabalho as coisas estavam corridas e eu não consegui escrever três linhas o dia inteiro. Ajudei uns colegas com algumas ideias e, enquanto eu dava mil e uma dicas para outros assuntos aleatórios, o meu ficava encostado na parede, debaixo de um relógio que parecia cada vez mais me apressar.

   Subi a rua cansada. O Sol estava escaldante, e eu precisava muito de um banho gelado para relaxar. Então reparei em uma porção de meninos com uma latinha vazia de farinha láctea, ou algo parecido, enrolada por um montão de linha, debaixo daquele Sol, pingando de suor, sem camisa e brigando um com o outro por espaço. Os carros que atravessavam a rua buzinavam, e os motoristas praguejavam os meninos por estarem tomando a passagem. Me sentei um instante na calçada, e fiquei a os observar. Corriam pra lá e pra cá, sempre com os olhos fixos no céu. Qual seria o entreternimento de ficar horas olhando um pedaço de papel voando pra lá e pra cá? Também olhei. E lá estavam umas dez, quinze, vinte pipas! E não vinham só da minha rua, mas de outras vizinhas também!

    De repente aquilo não era mais o céu, e os papéis deixaram de ser meros... Papéis. Vi um espaço repleto de pontos coloridos, nos quais todos brincavam um com outro, no qual nadavam e se comunicavam por gestos. Nos quais a infância era simples e divertida, como um soltar de pipas ou um brincar nas águas de um mar. E as cores comungavam com as nuvens, que pareciam ondas levando-as pra lá e pra cá, dando vida aos desenhos que se formavam. Como se fizessem um plano de fundo para o Sol e isso chamasse a atenção dos meninos. Eles corriam pra lá e para cá, em busca de uma posição para que uma pipa ficasse adjacente a outra. Era lindo! E aos poucos, as cores iam esfriando, juntamente com o céu que escurecia com a despedida do Sol. As pipas sumiam e aos poucos os meninos desconectavam-se daquele "sobremundo" e voltavam para suas casas. Quando percebi, já havia se passado uma hora e qualquer tipo de calor ou sensação térmica havia sido desfocada enquanto eu observava o céu. Levantei-me da calçada e entrei para a casa, maravilhada com as coisas que havia descoberto poucos minutos atrás. As coisas simples e magníficas da vida.


O céu azul, um montão de pontos coloridos, as nuvens são ondas e por mais estranho que pareça, vejo um mar de pipas.



"Mar de Pipas" SOUSA, Camilla. Revista 'O assunto', Ed. 156, 15 de Dezembro de 2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sobre culpas e "perceberes".


   Foi então que entendi de fato que as brigas, as desavenças, as palavras expressas de formas rudes e todas as outras coisas - as quais julgo ruins - não foram de total culpa minha. Tenho essa mania de colocar a culpa em mim, para não me decepcionar com as atitudes das pessoas que gosto. Engraçado.. Me sentir culpada me deixa melhor. Mas você também teve culpa, na verdade, maior parte dela eu acho. Você me martirizou, jogou toda aquela coisa no ventilador pra cima de mim e me fez acreditar - fez mesmo - que eu era a responsável por suas dores de cabeça e brigas constantes com a sua família.

   A culpa era sua.

   Você se deixou transformar por coisas fúteis como status e dinheiro. Suas promessas de nunca mudar e continuar assim, do jeito que era só para prosperar nosso relacionamento foram vãs. Boa parte de tudo o que você disse foi em vão. Jogou algumas palavras fora e eu tive a infelicidade de guardar umas pra mim. Guardei principalmente as ruins e as que magoam, e sei porque o ser humano tem essa infeliz capacidade de lembrar do que é ruim mais facilmente do que é bom.

   Mas tudo bem. Que se dane esse seu comportamentozinho infantil e esse seu jeito imaturo de ver as coisas. Saiba que estou vivendo minha vida muito bem sem você. E que sua serventia agora é apenas se tornar inspiração para textos, os quais eu percebo a cada palavra quanto tempo perdi ao seu lado. E os quais também me sinto cada vez, 'mais' para você e para mim. Me percebo. Me valorizo. Me superiorizo porque sei que ficar sob a asa de ninguém vale a pena!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Me sinto feia!



   Acho que provavelmente, a maioria das meninas atualmente não se sentem suficientemente bonitas. Ora, ninguém se acha completamente feio! Sabe como eu sei disso? Porque já me senti assim. Exclamava pra todos o quanto não gostava da minha aparência, porém quando me olhava no espelho.. Não me sentia daquela forma. Sabia que não era a mais bonita da escola ou do bairro, tampouco a que recebia cento e poucas curtidas em suas fotos do Facebook, mas não era digno de mim o posto de feiura. Eu sempre via em mim, mesmo sem querer, coisas que eu gostava muito e que eram aspectos fortes em mim. O olhar, o sorriso, o contorno dos lábios, a profundidade dos olhos... Qualquer coisa. Todos os dias me olhava no espelho, reparava nas coisas em mim que mais gostava, principalmente no rosto. Num dia eu via como o desenho dos meus lábios combinava com o meu sorriso; n'outro como o castanho-escuro casava perfeitamente com o tom escuro dos meus cabelos. E aos poucos... Fui abusando dos meus pontos fortes!

   Nas festas que geralmente me convidavam e eu não ia, justamente porque sabia que só iriam pessoas bonitas e eu me sentiria 'fora' dos padrões (sem contar que os meninos nem olhariam pra mim), resolvi ir! Coloquei um batom vermelho, uma maquiagem legal com um delineado preto pra combinar e usei aquelas roupas que eu sempre quis usar, mas tinha vergonha. Independente se as outras meninas eram mais magras ou tinham mais corpo que eu, não importava! Elas teriam uma forte concorrente e os meninos mais uma pretendente! E foi atraindo olhares, que aos poucos, não só me vi diferente, mas me senti assim!

   Pois é. Passando minutos e minutos em frente ao espelho me julgando - literalmente - que eu cheguei a conclusão de que sou linda! E aqueles que não percebem isso, me desculpem, mas precisam refazer seus conceitos de beleza!

sábado, 15 de dezembro de 2012

2min: Meio-eu, meio-mundo.



   Tenho andado um pouco atrasada, um tanto distraída e muito distante. Eu sei, e a culpa é toda minha. Mas eu cansei, eu juro que cheguei no ápice de toda aquela vontade incessante de alcançar uma quase-perfeição que não era e nunca foi minha. Na verdade, nada em mim é realmente meu. Sou uma junção de personalidades que se agarraram a mim conforme o tempo. Sou meio-eu, meio-mundo. Acho que muita gente acabou se tornando assim. O sofrimento nos ensina muita coisa. A chorar, a esconder, a ser forte e o principal: a sorrir, independente de qualquer coisa. (Camilla Sousa)

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Voltaaaaaaaaaaaaaando.




   Ois! Bom, sei que o blog ficou fechado por um tempinho, mas como vocês puderam ver: mudei o layout. Eu enjoo rápido das coisas e acabou que decidi mudar de novo. Achei bonitinho. Talvez eu acerte um pouco as cores, porque dependendo das configurações de cada monitor, a cor do blog fica cinza ;S Mas vou ir postando, porque bloggar pra mim é necessidade, e sem escrever aqui fico meio perdida e sentindo uma falta enorme. Portanto.. Estamos de volta!
   Novidade #1 - Agora o blog tem mais umas tags, uma delas é a tag Moda. Lá vou postar algumas coisas que comprei, ando vestindo, quero, recomendo e todo esse bláblálblá de moda que vocês conhecem. A unica diferença é que não entendo de moda e vou falar mais sobre o que eu visto e gosto. 
   Novidade #2 - Pra compensar a minha falta de entendimento sobre moda, logo menos estarei abrindo um blog com mais duas amigas chamado Depois da TPM, lá vai ter tudo o que vocês gostam. Tanto meninas, quanto mulheres, viu? Moda, música e claro, textos! o/
   Bom, por enquanto é só. Let's go! :D


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Não, eu não estou apaixonada pelo Ed.


   Ed nunca teve o mundo próximo de suas mãos, as coisas sempre temiam serem mais difíceis e mais impossíveis. Pra ele.
   Um dia, eu estava pegando o ônibus como de costume, e o percebi sentado no fundo, com um par de fones de ouvido cravados nele, como se a última coisa que ele desejasse ouvir fosse o barulho, senão da sua playlist.
   Eu, que não sou abobada nem nada, me aproximei. Ele era bonito e eu quis por um instante puxar uma conversa com ele. Mas tive medo de tirá-lo do seu “mundo” e acabar me dando mal. Mesmo.
   Queria contar a ele o quanto sei sobre sua vida, sua personalidade, seus sonhos e o quanto ele luta para realizá-los. Queria poder dizer o quanto é injusto vê-lo naquela multidão e não poder correr para abraçá-lo, arrancar-lhe suspirou ou ter por ele um beijo roubado. Que eu escrevi três canções nas quais tem mais ele que algumas notas. E que a música Dias Atrás do CPM 22 é colocada propositalmente por mim no celular, quando quero lembrar dele.

   Não, eu não estou apaixonada pelo Ed.

   Mas eu gosto muito dele.

   Gosto do seu boné da New York, do seu All Star surrado e velho sempre com os cadarços desamarrados, gosto do seus olhos castanhos escuros e do cheiro do seu moletom. Da cara que ele faz quando não entende algo, do seu gênio forte e da sua voz afeminada. Até disso eu gosto. E gosto pra valer.

   É uma pena que ele não tenha a mesma admiração por mim.

   E não cogite, nem por uma vez, lá de cima, olhar nos meus olhos e dizer melodicamente todas aquelas palavras mágicas que ninguém entende além de quem as pronuncia e para quem elas foram ditas.



sábado, 15 de setembro de 2012

Mania.

   Tenho aquele velho costume de acreditar que não acreditar – mesmo acreditando – irá fazer algo acontecer. Essa é, de todas as tantas outras, a minha pior paranoia. 
   Eu não acredito, ou finjo não acreditar, não por medo da decepção – o que seria "normal" ou "aceitável" –  mas por querer ser surpreendida. No fundo eu acredito, e sei disso, mas digo à mim mesma que não, na esperança de que aconteça.
   
   Será que mais alguém é assim?

   Também tenho a maldita mania de inventar sinais. Daqueles que não têm nada a ver. Músicas, pessoas, o sabor do chiclete e até o clima. Pra mim, qualquer coisa é conspiração. Pior que nessa de não "acordar pra vida" e encarar a realidade, eu acabo sofrendo e me decepcionando.

   Talvez mais alguém no mundo seja assim.
   Provável.



domingo, 15 de julho de 2012

Olha, vou te falar..

   Hoje eu acordei com uma vontade imensa de dar um pouquinho de mim à você. Não muito, mas só um pedacinho. Só pra deixar aquele gostinho de 'quero mais'. Quem sabe você até volta pra buscar mais...
   Depois daquela semana monótona - monótona porque conversei mais comigo, que contigo - fiquei pensando no rumo da minha vida sem você. Sério. Fiquei imaginando o quanto seria chato não te ter numa tarde de domingo, ou numa sexta à noite. Eu não sei se vou me acostumar. Vou precisar de algumas doses de qualquer coisa alcoólica, de algumas amigas e umas boas risadas. Eu sei que no meio de uma piada ou outra vou me lembrar de você, e algumas lágrimas vão escorrer dos meus olhos, mas o bom é que ninguém vai notar. Porque ultimamente eu tenho chorado pra dentro, e sorrido pra fora. E isso é uma das proezas que aprendi de umas semaninhas pra cá.
 
   Só que desta vez vou fazer diferente.
   Eu não vou chorar e não vou te procurar. Mas também não vou beijar milhões de bocas pra te esquecer. Não agora. Eu vou esperar o amor que eu sentia por você passar - quem sabe nesse meio-tempo você até volta pra reviver algumas partes dele -. Eu vou desabafar com o mundo, mas guardar as lágrimas pra mim.
   No dia em que 'completaríamos' mais um mês eu vou deixar cair umas três gotículas, e só. Se alguém perguntar se eu estou bem, vou dizer que sim e demonstrar. E de fato isso vai me ajudar a ficar. Vou ficar bonita, vou arrumar o cabelo e vou impressionar. Como uma mulher que muito admiro disse uma vez "Aprendi que não devo ter dó de mim por estar sem você. Mas dó de você por estar sem mim." Você sabe onde eu moro, então se bater uma saudade me procura. Me liga. Reza pra esse amor que eu sinto por você durar bastante e dar tempo de voltar atrás.


 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Eu. Você. A Conspiração do Mundo.


   De mim existem algumas coisas das quais você precisa saber. Coisas essas que só eu sei, só eu comigo mesma. E não é do tipo quando eu digo “só eu”, mas o “eu” envolve fulana e ciclana. Agora sou eu, talvez um celular e um par de fones de ouvido. Ah! E as lembranças!
   Geralmente quando você vai embora, eu me despeço desejando que você fique mais um pouco. Sem clichês. Eu desejo de verdade e fico até triste quando você não pede mais cinco minutos. Não triste com você, mas com o mundo. Esse mundo controlador que vive marcando um ponto final entre nós dois, todos os dias. Seja meia noite ou às duas da tarde. Eu fico triste com o mundo porque ao mesmo tempo que conspira para que nos encontremos, ele trama algo que nos afasta. Ele palpita no ouvido do seu chefe para que você saia mais cedo, mas atrasa o ônibus que te trás até aqui. Acaba com todos os seus compromissos do domingo, mas lembra que você tem prova na segunda à noite. E te faz estudar. Faz chover depois do almoço, e sair um solzinho gostoso no final da tarde. Daí você não vem por contradição.
   Eu também sou cheia de paranoias. Você sabe. Quero dizer, sabe uma parte delas.
   Quando estamos em uma discussão, eu geralmente coloco o celular no vibra-call porque fico tão angustiada e ansiosa com a sua resposta que tomo um susto quando soa o toque da mensagem. E eu choro brigando comigo mesma por ser tão idiota e brigar com você. Eu sempre começo cobrando algo e termino pedindo pra voltar. Porque eu sei que esse meu jeito caleidoscópico de ver as coisas te irrita e você odeia o modo como eu encaro as coisas.
   Geralmente quando eu escuto Ana Carolina eu imagino nós dois deitados na cama. Não importa se no escuro ou iluminados pelos poucos raios que adentram meu quarto numa tardezinha de sábado ou domingo. E não penso com indecência, imagino porque isso me sustenta. O seu amor – em todos os significados possíveis – me sustenta. Me completa. Me enche disso que eu senti em todos os momentos que estava com você. E te asseguro que não é só amor, não. É um pouquinho mais que isso, e eu não sei dizer o quê.
   Quando vejo casais, fico com saudade. Mais ainda. Eu imagino que podíamos fazer parte daquele lugar com tantos corações voando pra lá e pra cá, mas que somos apenas mais dois solitários em lugares distintos.
   Eu já quis me declarar. Geralmente eu tiro todas as minhas frases que te deixam sem fôlego dos filmes de romance que eu assisto quando você tá longe de mim (a conspiração contra do mundo, lembra?) e eu digo que só gosto de filmes de horror porque não quero que você duvide que o carinho que eu fiz, ou o jeitinho que eu te chamei foi tirado do filme que assisti ontem à noite. Eu gosto de surpreender, e sei lá.. É tão melhor quando você se sente visivelmente surpreendido logo por mim que acabo sendo previsivelmente previsível...
   Desculpa tá?



   Você é tão cheio de mistérios. Não me conta nada. Mas demonstra tudo. Eu sinto uma vontade imensa de te mandar ir plantar não sei o quê no asfalto, mas eu gosto demais de você pra isso. Eu sei que uma hora a gente vai cansar de ficar longe. E você vai chegar num domingo à tarde e dizer que quer me ver. Vai pedir com aquela indecência e eu vou aceitar. Vou aceitar não porque não me dou valor, mas porque ainda vou te amar e quem ama se entrega sem medo ou receio. Dessa forma, vou pensar que repentinamente você vai mudar de ideia e vai querer isso todo domingo. Vai querer meu amor e um pouquinho de mim também. Então me olhando nos olhos e com aquela expressão de quem tá arrependido vai pedir pra voltar. Vou pensar isso e vou fazer acontecer. Vou colocar um perfume diferente e arrumar o cabelo. Eu quero que você sinta que eu sou a mesma, mas que me veja diferente. Surpreendentemente diferente, mas ainda eu. E nesse dia... O mundo vai ter que conspirar.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

Num complexo de mim mesma.


As coisas não têm sido fáceis – de fato nunca foram – mas sinto que ultimamente elas estão se tornando mais difíceis a cada dia.
Às vezes sinto que me torno mais incompleta e imperfeita a cada dia que passa. Meio que em conflito comigo mesma e com quem sou. Já não sei mais nem quem fui, e tampouco tenho ideia do que serei. É estranho. Às vezes os muros pichados se assemelham com a revolta que sinto aqui dentro: muitos veem, mas poucos entendem.
Ando me arrependendo facilmente e as coisas têm me machucado com maior facilidade. Estou toda sensível e toda agressiva ao mesmo tempo. Às vezes tenho a leve impressão de que sou ignorante para me proteger das críticas, dos comentários, das suposições alheias. E de mim mesma.
Quando coloco meus pares de fones de ouvido, me fecho. Tenho frequentemente dialogado com as músicas, e me entendendo mais com elas.
Ao andar pelas ruas e percorrer trajetos cotidianos, eu me perco. Muitas vezes paro no meio-fio e me pergunto se devo ou não atravessar a rua. Eu tenho medo de sair por aí e encontrar alguém que têm me amedrontado muito ultimamente: eu.
Eu abro as revistas e invejo as garotas das fotos. Eu passo pelas lojas e não me vejo mais em nenhuma roupa no manequim. Vejo os garotos bonitos transitando pelas ruas e não consigo imaginar como um deles poderia ficar comigo. Como e sinto culpa. Bebo e digo coisas o que não deveria. Durmo e acordo cedo. Não tenho mais sonhos. Nem dormindo, nem acordada. Estou num complexo de mim mesma. E não me entendo.


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Um lugar qualquer. O meu lugar.

Um lugar qualquer. Um lugar para mim.

Seus olhos lacrimejavam, ela precisava chorar, e talvez tivesse que ser ali.

Meg caminhava com seu irmão enquanto ambos voltavam do inevitável. Lá não haviam conseguido obter muitas informações ou coisas favoráveis a eles, mas sabiam que provavelmente seria inevitável voltar ao... Inevitável.

Ela queria chorar. E chorar muito. Sentia-se desamparada. Observava no ônibus as pessoas indo e vindo, e sabia que, diferente de si, eles tinham um destino. Não um destino na vida, mas um destino naquele dia.

Mas precisei ser forte.

Seu irmão segurava uma lata de refrigerante, e olhava a cidade que parecia correr pela janela. Meg abraçava a si mesma, tentando enganar o frio. Seus pés gelavam e ela estava toda desengonçada, mas a aparência era o que menos importava naquele momento. Ela só queria um destino... Para si... Naquele dia.

Só Deus sabe o que eu passei...

Ao chegar ao improvável, Meg secou as poucas lágrimas que restaram em seu rosto e, junto ao seu irmão, desceu do ônibus.

Ela não sabia o que pensar, o que sentir. Nunca desejou tanto que aquilo fosse um sonho, que ela acordasse e sua realidade fosse diferente.

Agora tudo parece um sonho.


Novamente, dez meses depois, ela se encontrava voltando do inevitável novamente. Novamente.

Como ele pode ser tão cruel? - Pensava. Não conseguia entender o porquê da crueldade, da indiferença, da frieza.

Seu irmãozinho... Estava ali, ao seu lado, segurando uma bola na mão. Ela não queria lhe passar tristeza, ele não merecia aquilo. Tudo que queria é que ele não voltasse a passar o que passou.

Enquanto andavam Meg sentia raiva, tristeza e até pena de si mesma. Ainda se sentia um tanto desamparada, mas daquela vez, ela sabia que teria um destino.

Vou conseguir evitar o inevitável, e seguir. Chegar ao meu destino final. É tudo o que mais quero.


E, subindo a rua de casa, tinha a certeza de que que, pelo menos durante alguns anos, aquele seria seu destino. Sua casa. O lugar onde sabia que o melhor só aconteceria... Ali.