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quinta-feira, 20 de março de 2014

Hoje vim falar de mim.



   Estava pensando em como Deus me deu a escrita de presente pra contar — de uma maneira às vezes bem implícita — o que se passa dentro de mim. Ele me deu mais que sentimentos e palavras, me deu fontes de inspiração pra suspirar, juntar as palavras e montar algo que as pessoas leiam e simplesmente se identifiquem.
   Hoje me deu vontade de escrever (mais) sobre algo que eu venho escrevendo — e não necessariamente postando — há muito tempo. Minha caixa de postagens está cheia de rascunhos que eu não tenho coragem de publicar. Ah! Também tem uma caixa de papelão em cima do meu guarda-roupa que é cheia desses textos que eu escrevi e recebi, mas ninguém sabe, não imagina e nunca vai conhecer. Tem coisas que a gente não precisa mostrar ou simplesmente não vale a pena porque perde a graça.
   Lembrei daquela casa, onde passei algumas tardes dando risada, trocando e criando histórias. Muitas delas estão perfeitamente armazenadas no meu coração e, particularmente, são lembranças mais incríveis e fodas que qualquer outro texto meu. Elas são vivas, e simplesmente recordá-las me dá a sensação de voltar no tempo. Senti o cheiro dos lençóis pendurados e o gosto do brigadeiro de panela.
   Lembrei de quando eu dormia n'outro quarto da minha casa, um pequenininho onde mal cabiam meus livros e meus dois violões, contudo era repleto de histórias e ainda sobrava espaço. Ali eu chorei e morri de rir. Vivi amores e sofri decepções. Ali eu sonhei em ser quem eu sou hoje (graças a Deus!) geralmente sentada ao lado da cama, observando aquele céu pouco-estrelado de Sampa e me perguntando se um dia eu ia mesmo conseguir. Valeu, tô conseguindo. Amém. 
   E aquele violão preto (o "Lucas")? Chega a ser engraçado como ele sofreu na minha mão quando eu olhava aquelas seis cordas e não fazia ideia de como montar um som a partir daquilo. Depois de meses praticando toquei minha primeira música  pra mim mesma e depois pras pessoas... Com ela eu toquei corações, fiz pessoas chorarem, fiz corações se apaixonarem, fiz neguinho perder o fôlego e fiz pessoas se inspirarem em mim pra fazerem o mesmo, ainda melhor. Fiz o básico, meu dever.
   Eu tenho escrito muito sobre coisas e pessoas alheias, mas hoje eu preciso olhar um pouco pra dentro de mim e notar que muito mais do que uma garota comum de dezessete anos que estuda, trabalha e sonha em ser alguém, sou uma mulher em estado de construção que merece ser valorizada e merece ter um pouco de si registrado. Hoje eu olhei pras músicas que eu gosto, pras fotos que eu tenho guardadas e pras pessoas que eu amo e vi que simplesmente eu não tenho como falar de mim sem falar delas, é o que sou, quem sou e uma prévia de quem posso ser. Muito mais. Vi que às vezes eu preciso chorar pra valorizar o riso e ter uma decepção pra valorizar o amor, eu preciso perder pra ganhar, eu preciso cair pra aprender a levantar.

    Ninguém é de ferro e muito menos perfeito, com uma vida perfeita.
    Mas todos nós podemos sonhar em ser alguém além de quem somos. 





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Carpe Diem.

 Hoje senti seu perfume.
 Em outro corpo, no meio da rua, por alguns segundos. Carpe Diem. Soa familiar? Eu adorava aquele cheiro nos seus moletons. Quando cê esquecia eles aqui em casa, chegava a passar noites inteiras abraçada com eles porque me davam a sensação da sua presença. Eu tinha medo de te perder, de acordar e tudo ser um sonho, e no outro dia quando eu olhava meu celular e via a notificação da sua mensagem, suspirava de alívio porque sabia que logo o moletom, você e aquele perfume estariam fazendo a combinação perfeita quando me envolvessem num abraço.
 Sentir esse cheiro hoje foi como voltar uns meses atrás, foi completamente nostálgico e eu fiquei o dia todo pensando em como eu havia esquecido como ele combinava com você, como tudo antes combinava mais com você.  Você deixou seus moletons no armário, eles nem eram de marca e hoje você está muito mais bem vestido. Não que isso seja ruim, mas sabe...
 Você me deixou também. Por outras, por coisas..
 E eu não valho pouco.
 Quando eu senti aquele cheiro, aquele perfume tão familiar me inundou e eu dei um duro danado pra não chorar, como sempre faço quando te vejo por aí, como sempre faço quando escuto as pessoas falando de você, quando eu tô precisando daquele seu abraço num domingo frio porque minha semana não foi legal ou quando você me dá desculpas e desculpas pra ficar longe de mim. É tão difícil não poder contar com você, porque no final das contas é pra você que eu gostaria de desabafar, dizer que eu ando triste... Por você.

 Sinto muitas saudades.
 Nunca imaginei que fosse escrever algo assim de novo. Mas eu escrevi.


 E é foda.

sábado, 23 de novembro de 2013

Às vezes me pergunto o porquê



Às vezes me pergunto o porquê. Você, eu, você... Eu. Sou tão complicada, você tão certo. Talvez como todos os amores que tive antes, meu oposto foi atraente. Mas você não é tão oposto assim... Você é inalcançável. Eu poderia fazer uma lista de possíveis companhias pras minhas sextas e de confidentes para os meus segredos, e eu não escolheria você. Não porque você não se enquadre, mas porque... Você é inalcançável. Você mora a cinco quadras daqui de casa e mesmo achando perto eu acho longe demais pro meu coração. Eu não sei distinguir quando você me abraça por carinho ou por carisma. Queria saber quando você me olha se admira, repara ou se apenas me vê como eu sou.

Eu não sei se eu sou o que você repararia. Talvez eu precise de uma personalidade mais forte ou de um sorriso mais aparente. Talvez eu precise ser tão carismática quanto você ou tão popular quanto. Eu tenho uma enorme vontade de ser eu mesma e você reparar... Você parar por um segundo e me ver além. Ouvir minha voz no meio do salão, dobrar os joelhos e, quem sabe, pedir ao Criador pra criar uma história pra nós dois. Não tô pedindo uma história perfeita... Só estou pedindo pra ser algo que faça valer a pena a confusão que eu passei, que faça valer a pena as lágrimas que chorei. Deixei um espaço aqui vago pra quem quiser ocupar, mas algo em mim insiste em gritar, dia-após-dia, que esse lugar pode ser todinho seu.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Vê se aprende isso aí — também.



Uma hora você vai precisar deixar coisas e pessoas que ama. Vai precisar escolher entre o sentimento de esperança e o de realidade. Vai ter que se desgarrar daquilo que te faz sorrir — mas te rouba o chão — pra abraçar outros horizontes que possam te garantir novos — e melhores — momentos. Eu sei, é difícil. Ninguém gosta de deixar algo bom para trás, mas é preciso arriscamo-nos no meio da escuridão, se quisermos encontrar um interruptor que nos garanta luz. Uma nova visão. Novos ambientes, novas sensações. Novas pessoas também.
As lágrimas... Elas são essenciais e não deve-se pensar que são sinônimo de fraqueza, mas de escape. A tristeza só sai assim mesmo. Não há outra forma. E se você busca a felicidade, deve antes de tudo se livrar daquilo que causa aversão a ela.
Aprendi muito nesse meio-tempo. Nada volta. Tudo se renova. Não cabe somente a mim tentar reatar laços ou reviver passados. Eu faço o que posso. O resto entrego em forma de preces e dobro os joelhos em sinal de espera. O sentimento ainda está aqui, guardadinho, intacto bem no fundo da gaveta. Contudo, aos poucos vou esquecendo que ele está ali, e é nesse momento que ele se torna uma lembrança.

Cansei de escrever promessas incertas sobre certezas incertas. Certezas são passageiras até o momento em que a decepção toma o seu lugar. Não prometo mais nada, não escrevo mais sobre amor, futuros prometidos ou algo do tipo. Aprendi que essas também são coisas que passam muito, e quando nada me resta além dos textos, eu odeio ter prometido e não podido cumprir. Como eu disse, promessas são incertas, e certezas são sempre passageiras.

Mas como eu disse, dobro os joelhos e espero. Vou me decepcionando, me ferindo, até que não sobre nada além de uma lembrança velha esquecida no fundo de uma gaveta qualquer. E ressalto: essa gaveta não é um coração.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

(Dia dos namorados!) Sinto a brisa..

 


   Uma nova mensagem.
   O tarde estava linda, já chegando à sua fase final: o céu alaranjado em seu topo, recebendo alguns tons roxos que indicavam que a noite estava, aos poucos, entrosando na vivacidade do dia e tomando seu lugar. Era perfeito. O modo como o azul do céu passava por tantas cores para finalmente escurecer. Seria tão fácil... Mas não. Talvez a Lua ou as estrelas quisessem uma pré-estréia triunfal para finalmente serem as protagonistas da noite. Mas para mim, os diversos tons que antecediam a escuridão não eram coadjuvantes. Eram perfeitos. Como se cada cor fosse alma-gêmea da outra, mesmo sendo diferentes, tinham coisas em comum... A sintonia.

   A sintonia...

   Eu tinha a minha sintonia. E estava indo encontrá-la agora mesmo. Linda... Em tudo. Até mesmo nas lembranças ela não perde seu encanto, até mesmo no inalcançável é possível sentir o impacto de tudo o que há de maravilhoso em cada traço de seu rosto, em cada curva de seu corpo. Até mesmo no intocável é possível arrepiar-se com o sentimento de amá-la como eu a amo.

   Seria possível? Seria possível simplesmente sentir a brisa do amor de alguém? Era possível. Todas as vezes que minha mente era povoada pelo seu sorriso, pelas nossas muitas noites de amor, pelo entrelaçar de nossos dedos, pelo toque de suas mãos outrora em meus cabelos... Eu sentia. Sentia cada canto do meu corpo arrepiar-se, desejando estar perto dela cada vez mais.

   Subi a montanha com um buquê de flores nas mãos. Nunca fomos de praças ou cinemas, e ultimamente tivemos que nos adaptar à alguns lugares mais reservados. Passamos a gostar destes acompanhado pelo silêncio que é a forma mais bela que encontramos de nos amarmos sempre. O silêncio às vezes é a melhor forma de se expressar sentimentos. Mas conversamos também. Não somos tão monótonos como parecemos. Nosso amor é baseado muito mais do que em ações, mas em sentidos. Estava um tanto nervoso, ansioso pelo nosso reencontro. Meu amor. Minha sina. Minha menina. Estamos tão próximos que sinto que vou vomitar de tanta ansiedade ou ter um infarto com as batidas frenéticas do meu coração...

   E neste dia, em que todos aqueles que têm seus corações tomados pela presença de alguém. Dia de todos aqueles cujos dedos anelares carregam consigo alianças pratas ou douradas, cujas palavras escapam para expressar muitas vezes a intensidade daquilo que sentem, cuja presença de alguém é crucial para que sua vida possa tornar-se melhor...

   Sinto a brisa...
   Enquanto adentro o velho cemitério das colinas e vejo o meu amor.
   Quieta. Calma. Mais presente dentro de mim, do que nunca antes estivera.

(...)

terça-feira, 11 de junho de 2013

Súplica.

   Nunca fui a pessoa mais requisitada deste mundo. Mas também nunca fui mal-desejada. Eu atraía alguns olhares e povoava alguns sonhos. Muitas vezes enquanto eu andava pelos corredores, ouvia os comentários e percebia os olhares em minha direção. Tive muitas oportunidades de estar com diversas pessoas, mas nenhuma dela realmente me interessou... Além de você.
   Foi difícil para alguém tão "independente" como eu, passar a depender tanto de você. Depender do seu amor, do seu carinho, das suas mensagens de boa noite e suas ligações no fim de semana. Eu me recusava a admitir, mas de fato estava apaixonada. Não que o amor fosse a pior coisa do mundo, mas para mim... Era desnecessário no momento. Só de pensar em quantas lágrimas eu já havia derramado antes por quem não as merecia já me desmotivava. O problema é que nenhum ponto negativo impediu o sentimento de florescer. E em poucas semanas já rodeávamos a cidade com os dedos entrelaçados, trocando frenéticos olhares apaixonados.
   
    Querido, não me importo com o que passou. Só quero que entenda o quanto você é especial por estar comigo. E o quanto me sinto lisonjeada por estar com você. Não desejo que me coloque nos mais altos patamares da minha vida, apenas peço que não me exclua de suas preferências. Que não esqueça que antes de qualquer atitude que tomo, paro para pensar no quanto isso nos afetaria. Que sofro por você e pela suas constâncias inconstantes de indiferença. E que escondo... De todos.
    Sei que as coisas andam difíceis, e entendo. Mas quero ajudar. Quero retomar o meu posto de ser seu porto-seguro, o seu descanso. Quero voltar a acariciar seus cabelos enquanto você dorme. Quero voltar a ver suas ligações perdidas no meu celular... E te quero de volta. Te quero me mimando, dormindo comigo, me pedindo pra ficar...

Então, por favor...

Não me deixe ir embora.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

Conto




  Ele era um príncipe. Só faltava-lhe o cavalo, pois sobre sua gentileza, era incomparável. Tinha um lindo sorriso, um olhar penetrante e atitudes surpreendentes. Não lembro ao certo como nos conhecemos, tenho apenas vagas lembranças de breves palavras, seguidas por uma frenética troca de olhares. Mas eu gostei de tudo entre nós. Gostei dos beijos às escondidas, do romance proibido e da inveja de terceiros. Creio que se não houvesse nada disso, talvez não teríamos durado tanto.
   Me entreguei a você. Contei meus segredos, sonhos e confessei minhas intimidades. Para quê? Você guardou tudo para si, mas não teve o zelo de fazer com que isso durasse. Nem ao menos se importou. As coisas foram fluindo, ora bem, ora mal. Não entendi. Chegou uma hora em que eu tinha receio de me entregar, tinha medo de me arrepender. Houveram tardes em que cogitei me fechar novamente, guardar as novas confissões apenas para mim e não revelá-las nunca mais a ninguém. Mas não seria justo comigo. É difícil para um ser-humano não compartilhar nada com nenhum outro. E isso me entristecia porque pela primeira vez senti que meu porto-seguro talvez não estivesse mais tão seguro assim. Pela primeira vez tive medo de te perder e me perder, tudo junto e ao mesmo tempo.
   Foi então que percebi que já não se tratava mais de eu ou você. Éramos nós. De alguma forma eu tinha uma certeza bem, bem profunda de que você também temia se perder em mim. Entende? Você tinha medo porque duvidava se talvez mais alguém no mundo pudesse te entender como eu. Pudesse confiar em você como eu. Pudesse se abrigar em você, como uma criança se abriga sob'a fantasia de um conto de fadas.

    Então seremos um conto. Serei a princesa e você o príncipe. Ou eu a Lua, e você o Sol. Conectados intrinsecamente pela história no qual o amor nasce sem explicação, se prolonga mesmo diante dos obstáculos e acaba com um final feliz. Ou melhor, simplesmente acaba feliz, sem finais, sem culpas, sem bem-me-queres ou mal-me-queres.



   E você, você é meu príncipe. Ainda que muitas vezes cansado ou até sentindo-se derrotado. Creio que um bom conto não se sustenta apenas de situações felizes. Saiba que te amo, e é por amar-te que prometo estar ao seu lado quando a torre for muito alta, a maldição não se quebrar, o beijo não despertar ou o sapatinho-de-cristal não for encontrado.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Amar diferente. Amor adolescente. Amar você.



  Esse amor me pegou de surpresa e me cativou em segundos. Não por ser algo 'adolescente', cheio de clichês, trilhas sonoras ou declarações explícitas de amor. Não só por isso. Mas pela aventura de estar com alguém inúmeras vezes, em diversos lugares, sentindo um milhão de coisas. Você me trouxe uma sensação aventureira de adentrar no amor, sem medo de me perder nele. Acredite, já me perdi muitas vezes com pessoas de muito mais experiência. Mas com você é diferente. Com você eu tomo café em casa, na padoca ou nem tomo café. Com você eu vou pra praia na segunda, e ao cinema de madrugada. Com você eu faço trilha na mata... Faço trilha na cama. Com você é tudo diferente e inesquecível, é como se cada dia mais uma história fosse agregada às milhares de lembranças que tenho. Olha, nunca agradeci tanto aos céus por ter te conhecido, menino. Isso soa adolescente, mas é verdadeiro. O bom de amar imaturamente sendo madura, é que sempre se ama de verdade. Sem clichês ou "Eu te amo" descartáveis. A gente dá mais valor ao amor, porque sabe como é ruim amar de maneira errada... Amar a pessoa errada. Não digo que você é a pessoa certa, mas afirmo com todas as certezas do mundo que é em você que eu penso um bocado de vezes ao dia. Sei como é sofrer por quem não merece, talvez você não saiba, mas seria injusto que eu repetisse com você a cafajestagem que fizeram comigo. Amar não é assim, igual. Todo amor é diferente: ontem eu amei de maneira adulta, hoje amo de maneira adolescente. Mas tudo é amor. No final da noite, durante ou filme ou antes de dormir é sempre amor. Amor que sustenta, inspira e faz a gente escrever trocentas palavras tentando explicar o que se passa dentro dessa alma confusa que cada um de nós carrega dentro de si.

segunda-feira, 11 de março de 2013

E eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo!



   Mt 28,17: "Quando viram Jesus, eles o adoraram. Entretanto, alguns duvidaram."


   Annie havia tido uma semana conturbada: seus pais brigaram praticamente todos os dias; na sala nova, ela não havia se enturmado com seus colegas e sua fonoaudióloga disse que às esperanças de que sua voz fosse recuperada, estavam perdidas. Como ela poderia seguir? Mal sabia falar em libras, mal fazia ideia de como se comunicar com o mundo. O que era o mundo para ela, quando este nunca mais ouviria sua voz? Como seria gostar de uma música e não pode cantá-la? Ou então como seria dizer "eu te amo" para alguém? Depois daquele dia, ela nunca mais se imaginou feliz novamente. Tentou, tentou, passou horas inteiras imaginando como seguir a vida, mas sempre obtinha más expectativas, más respostas, más opções. Como ensinar, no futuro, seus filhos a dizerem as primeiras palavras? Como poderia discursar na formatura de sua faculdade? Lágrimas e mais lágrimas caiam de seu rosto. Assim que ouviu o veredito de sua deficiência, prometeu a si mesma que tentaria seguir em frente, da maneira mais normal possível, porém, nem sempre promessas são fáceis de serem cumpridas. Então Annie chorava, se lamentava e perguntava à Deus todo o momento a explicação desta reviravolta em sua vida. Pedia, rezava, ajoelhava-se, gesticulava com os lábios uma oração, ao menos esta, por mais que silenciosa, podia ser ouvida por Alguém. Contudo, embora Annie acreditasse e tentasse perseverar em oração, seus joelhos ardiam e ela desanimava novamente, afundando em lágrimas e questionamentos.


Mt 28,18-19: "Jesus aproximou-se deles e disse: De Deus recebi todo o poder, no céu e na Terra. Portanto, ide e ensinai a todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo"


   Nos dias que se seguiram, Annie continuou enfrentando dificuldades que pareciam nunca terminarem. Não conseguia aprender na escola, não conversava com ninguém da turma e seus colegas antigos haviam se afastado dela, por não saberem como lidar com a situação. O mundo parecia desabar aos poucos e cada vez mais para ela. Foi então que, Lia, a Senhora da Cia de Limpeza, pegou-na chorando no banheiro feminino, durante o horário de aula.
— Menina, você está bem? — Disse ela, num tom preocupado. 
Annie gesticulou que sim. Enxugando às lágrimas com as mãos às pressas, numa tentativa frustada de parecer realmente bem.
— Não fique assim, meu bem. Quer saber de uma coisa?
Annie de cabeça baixa, ainda tentando enxugar as lágrimas, voltou-se para a senhora, fixando seus olhos nela, como uma cessão para que ela dissesse.
— Meu marido tem Alzheimer, sabe o que é isso? É uma doença em que as pessoas esquecem rapidamente e confundem as coisas. Hoje eu sou Lia, sua esposa, porém amanhã uma desconhecida e n'outro dia uma ameaça. Ele já teve diversas crises, foi até internado uma vez, mas não consegui vê-lo longe de casa. Sempre soube que seu lugar era lá, com nossos dois filhos. E o fato de nós sabermos isso, bastava. Sempre o ajudamos a relembrar quem é e a organizar seus pensamentos por meio de fotos, cartas e vídeos. Nunca entendi e sempre me questionei, pois cinco anos depois nos casarmos, ele apresentou os primeiros sintomas. Toda vez em que completávamos mais um ano de casados e ele esquecia, ou quando não lembrava do rosto de seus filhos ou o meu, eu chorava muito. Era difícil, sabia?  Sempre batalhei para sustentar a casa, já que ele nunca pôde trabalhar. Meus filhos, enquanto pequenos, não compreendiam o comportamento do pai,  ainda bem que agora crescidos e com suas respectivas vidas, me ajudam muito. Reclamei, reclamei e me questionei, até o dia em que Deus me deu uma prova viva de Seu amor por mim e pela minha família: Semana passada, completaríamos trinta e três anos de casados, eu estava na cozinha preparando o almoço, quando fui surpreendida por ele na porta da cozinha, com um buquê de rosas nas mãos. Então ele me abraçou e beijou-me a bochecha, dizendo: "Feliz trinta e três anos para nós, Lialinda!".
    Annie se arrepiou, arregalando os olhos, surpresa.
— Tem noção de como foi? Ele nunca lembrou, mocinha. Mas justamente semana passada, após trinta e três anos completos, ele lembrou. Trinta e três é a idade que Jesus morreu na cruz por nós, não pude encarar como outra coisa, senão como um presente de Deus pra mim e minha família. Todos os dias, quando ele acorda e não me reconhece, lembro deste sinal que Deus me deu, significando que nem o Joel, tampouco Ele se esquecem de mim, nem por um segundo sequer.
   As lágrimas caiam dos olhos de ambas. Annie abraçou a senhora e, tirando o celular do bolso, escreveu no bloco de notas "Obrigado :')" e mostrou à senhora. Ela apenas gesticulou positivamente com a cabeça. Annie saiu dali certa de uma coisa: O amor de Deus por ela, era a força suficiente que precisava para seguir em frente e vencer os obstáculos!

(...)

   Nos três meses que se seguiram, Annie aprendeu algumas palavras e expressões em libras e repassava-as para os colegas na sala também, sem se importar com a aceitação deles. Quando não sabia o que falar, escrevia a mensagem no bloco de notas do celular e mostrava a eles. Logo muitos acharam incrível o fato de comunicarem-se em libras, e a ideia se espalhou de tal forma, que a escola abriu uma oficina de libras para alunos que quisessem aprender! Foi uma ótima ideia porque Annie podia aprender com eles!
   As brigas frequentes em sua casa diminuíram. Finalmente seu pai parou de beber e sua mãe de tomar calmantes. As coisas estavam melhorando e Annie agradecia todas as noites pelas forças que recebia, pedindo sempre discernimento para saber usá-las.
   Foi então que, numa celebração eucarística, Annie retirou-se da assembleia após comungar, e foi rezar no Sacrário, onde o Santíssimo estava exposto. Ficou ali por alguns minutos, agradecendo à Deus por sua vida e vitórias mesmo diante das dificuldades. Enquanto ouvia a música que acompanhava o Rito de Comunhão, seu coração acalmava-se, juntamente com a batida da música. E em meio à seus agradecimentos e preces sempre sussurrados, — sabia que Deus a ouvia no seu "silêncio dito" — ao finalizá-los, disse um "Obrigado, Amigo Jesus". Espantou-se, pois ouviu de fato som um tanto rouco saindo de seus lábios! Tentou repetir, e novamente a voz foi ouvida! Lágrimas caiam de seus olhos, e então, num ato de emoção, Annie levantou-se e abraçou o hostensório, como se este fosse Jesus. Sentia uma leveza incrível Nele, como se estivesse de fato abraçando um corpo. Ela repetia "Obrigado Amigo Jesus, Obrigado Amigo Jesus!" foi então que seus pais a ouviram, pois estavam próximos a porta do sacrário, e abraçaram-na, louvando e agradecendo a Deus pelo milagre que haviam acabado de presenciar: a cura de Deus no coração, no físico e na vida de uma pessoa.

(...)

   Annie contou para o mundo seu testemunho. Sua voz nunca voltou completamente, mas ainda assim ela continuou louvando à Deus pela sua cura. Não desistiu da oficina, e espalhou o amor de Deus, contando àqueles que não podiam ouvi-lo ou entendê-lo de fato, por meio de dois idiomas: o de libras, e o da a fé.



Mt 28, 20: "(...) E ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei. E eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo!"

  

 E você? Ainda duvida do amor de Deus por você? Ele está contigo, pelo resto da sua vida! ♥_♥











sábado, 9 de março de 2013

Esse é pra te motivar a sonhar..



   "A lógica do coração é como uma equação esquecida que você encontra na lousa da escola. Só conhecendo pra entender."
   Por quê você sofre tanto? Me diz? O que tanto te fizeram? Não importa, menina. Olhe para si, veja o quanto você pode ser mais: mais confiante, mais bonita, mais alegre... Mais feliz! Seu cabelo afro é lindo, seu olho oriental é diferente, seu sorriso irradia dias inteiros! Não vale a pena sofrer, tampouco desistir de si!
   Uma vez alguém me disse que mudaria seu jeito para conseguir ser feliz... Acredite, não funciona! Se você sabe qual é a sua felicidade, corre atrás dela. Pode ser difícil, o mundo pode ir contra você, vá atrás! Você não será feliz de outro jeito, com outro alguém, em outro lugar! Às pessoas precisam enxergar por trás desse seu sorriso, dessa aparência! Qual o problema em ser homossexual? Em gostar de dançar? Em querer cursar música, ao invés de engenharia? Qual o problema de querer algo que ninguém mais quer? Esse algo prejudica alguém? Não? Então vá atrás!
    A vida está aí, te esperando. Ela tem diversos caminhos, que te proporcionarão centenas de escolhas. Saiba escolher aquilo que te faz bem, sem prejudicar ninguém. Saiba colher um botão de rosa, pra não estragar a roseira inteira. Você é cheio de habilidades e pontos positivos. Quer ser feliz? Você pode. Pode hoje! Não deixe que as críticas estraguem os seus sonhos.









sexta-feira, 8 de março de 2013

Meio-dia (Parte II)


(...)

    Enquanto pensava alto, senti um peso contra as minhas costas, alguém se escorando em mim. Dei uma olhada de canto, por um segundo pensei que fosse uma criança e praguejei a suposição, mas o corpo era muito mais pesado, e foi me virando de fato que percebi que era um homem... Apoiando-se em mim!
— Ahhh, você não acha horríveis essas manchetes de jornais? O fato como os jornalistas usam opiniões implícitas pra manipular os leitores?
   Céus! Os adivinhadores de mentes que assisti no programa "O Impossível" na semana passada realmente existem!
— Moça?
   Permaneci em silêncio. A "estranhice" da situação me assustou.
— Desculpe a intromissão, eu realmente não queria ter sido tão grosso. — Ainda de costas pra mim — Meu nome é Rud, Rudvelt na verdade — Ele hesitou — Mas eu odeio esse nome então me chame de Rud mesmo. Qual é o seu nome?
   Bom, eu não podia de forma alguma ser grossa, por mais estranho que ele fosse, seu tom era simpático.
— É... É... Ra... Raíssa. — Droga! Por quê gaguejei? Agora o cara vai achar que estou extremamente constrangida ou envergonhada porque o acho muito lindo e fiquei sem jeito quando foi falar comigo.
— Você parece constrangida... Bem, desculpe. Não tive uma manhã muito boa, precisava conversar com alguém que não fosse minha esposa, nem minha assistente, nem meus sócios nem ninguém relacionado a minha rotina.
   Ele ia se levantando quando falei.
— Ah... — Sorri singelamente — Também não tive uma manhã muito agradável. Vim aqui pra relaxar e aproveitar minha uma hora de almoço... Sei lá... Lendo jornal ou qualquer coisa não-relacionada à minha vida.
   Nós rimos.
   O cara deve ser minha alma-gêmea... Não, não. Alma-gêmea não porque ele é casado. Seria um gêmeo oposto... Ou mais um infeliz não-satisfeito com a vida. É... Mais provável.
— Bem, Raíssa... Você vem sempre aqui?
Eu o olhei com estranhamento. Tá me cantando, é? Seu sem vergonh...
— Com todo respeito — Ele continuou, defensivo.
— De vez em quando. Vim hoje porque não suportaria a presença de mais de três pessoas no mesmo espaço que eu... Se é que me entende. — Sorri — E você?
— É a primeira vez. Geralmente nunca tenho muito tempo pra descansar durante o expediente. No horário de almoço estou em algum restaurante por aí ou resolvendo uns problemas em casa. Família, sabe?
— Ah, sei como é... — Não, na verdade não sei. Sou uma solitária em Nova York tentando ajeitar a vida.
— Você tem filhos?
— Tenho um cachorro e ele já me dá muito trabalho — Risos novamente — Filhos não... Não levo jeito pra essas coisas...
   Ele riu novamente, olhou o relógio de pulso e praguejou:
— Droga! — Apontou o relógio — Preciso voltar ao escritório. Foi um prazer, Raíssa! Nos vemos!

   Voltei à minha leitura, a situação que acabara de acontecer comigo fora estranha, mas nada que já não tivesse acontecido antes... Quero dizer, coisas estranhas acontecem comigo o tempo todo.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Meio-dia. (Parte I)





   Meio-dia. Era meu horário de almoço, mas eu estava sem um pingo de fome. Havia tomado muito café para exterminar o sono, e de bônus, acabei exterminando a fome também... Não sei como. O dia estava estressante, o Sr. Watts não parava de me cobrar relatórios e de exigir documentos que ele havia perdido. Para completar a nova auxiliar de serviços gerais, Dona Clau, não parava um segundo de cantar as baladas dos anos 80 que não soavam nem um pouco agradáveis naquele ambiente estressante de trabalho. Sem contar ainda que, na noite anterior, não pude dormir nem sequer uma hora devido ao barulho do vizinho bêbado brigando com a esposa do apartamento da frente. Um caos total. Minha mente estava completamente sufocada e era como se eu estivesse sendo torturada brutalmente. Sim, brutalmente. As coisas mais brutais são aquelas que não te tocam, essas sim machucam.
    Metáforas à parte, e voltando para meu almoço - trégua ao caos - eu pude relaxar um pouco. Fazia um pouco de frio e a praça Roosevelt estava um um tanto vazia - um presentinho da vida em troca da manhã estressante - sem crianças correndo e sem pombas enchendo meu saco. Apenas eu, meia duzia de pessoas transitando pra lá e pra cá e claro, a brisa me fazendo companhia. Caminhei até umas pedras em que as pessoas costumam sentar e abri o The New York Record, eu adorava ler os jornais e criticar as manchetes.  Acho que alguns jornais deixaram de ser imparciais e de apenas transmitir informação, e passaram a ter opiniões implícitas dos jornalistas na manchete - um erro gravíssimo - que as pessoas liam, e devido ao dom excelentíssimo de argumentação expresso ali, acabavam concordando com o que haviam lido, num ato "inocente" de que a notícia era cem porcento imparcial e cem porcento informativa. Blá, blá, blá: "Ele matou brutalmente; num ato de extremo impulso; sem medir consequências (...)" sem contar nos aumentativos ridículos para enfatizar ações políticas, como se elas fossem magníficas e como se os representantes não tivessem a obrigação de promovê-las. Enfim...
    Enquanto pensava alto, senti um peso contra as minhas costas, alguém se escorando em mim. Dei uma olhada de canto, por um segundo pensei que fosse uma criança e praguejei a suposição, mas o corpo era muito mais pesado, e foi me virando de fato que percebi que era um homem... Apoiando-se em mim!
— Ahhh, você não acha horríveis essas manchetes de jornais? O fato como os jornalistas usam opiniões implícitas pra manipular os leitores?

(...)

Continua.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Happiness.




Felicidade foi conhecê-la pela primeira vez.

   Ela pediu para que eu me sentasse na poltrona e perguntou se eu queria tomar alguma coisa. Respondi que não tanto por educação, quanto porque não queria incomodar. Sua contentação por me conhecer era explícita e ela sorria o tempo inteiro. A conversa fluiu naturalmente. Logo contei à ela sobre meus pais, meu trabalho e meus interesses pessoais. Partilhamos algumas experiências vividas e ela mostrou-me algumas fotos das viagens que fez e dos lugares em que morou. Não foram muitos. Dois na verdade. Mostrou-me também fotos de sua adolescência, "Eu era como vocês..." dizia. E logo percebi que os traços da idade não haviam tomado seu rosto por completo. Ela ainda parecia jovem e era muito bonita: seus cabelos castanho-claros com algumas luzes louras ressaltavam o brilho de seus olhos igualmente castanhos. Vestia uma blusa de lã verde-lodo e calça jeans. Estava simples e bonita e então dei a ideia de que tirasse uma foto e colocasse como plano de fundo de seu celular que havia comprado poucos meses atrás. Depois levantou-se e foi até a cozinha.. "Vou preparar algo pra vocês comerem!" e em pouco tempo a mesa estava repleta de pães, bolos e outras coisas mais.
    Não era a mais simpática, a mais bonita, a mais rica ou a mais popular. Não estava sempre de bom humor e não concordava com tudo. Muitas vezes precisávamos ajudá-la a segurar a barra porque as coisas não estavam fáceis. Porém, de uma coisa estou certa, ela foi a melhor, ainda que com suas imperfeições. Felicidade era tê-la ali... E eu sinto muito a sua falta.

Isso porque eu nunca a conheci.



Para alguém muito especial. :')

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mar de pipas.



   Subi a Rua das Laranjeiras apressada. O clima no trabalho estava péssimo porque faltavam dois dias apenas para o fechamento da revista. Eu era uma redatora muito preguiçosa e havia deixado para escrever minha coluna no domingo à noite, para aproveitar a praia no resto do fim de semana. Daí que o tema "Molecagens" apresentado na quarta, logo tão cheio de ideias nostálgicas, me era completamente vago e sem inspirações quando me sentei na escrivaninha e abri o editor de texto. Escrevi qualquer porcaria e fui dormir - na hora não parecia porcaria e me soou bastante interessante-. Não sei se você sabe, mas quando se escreve pra uma revista, na qual você é responsável por uma coluna de público geral, não deve escrever algo comum, mas algo que as pessoas leiam e reflitam sobre. Que realmente se sintam parte do texto, e não que as façam virar a página e pular para a seção do horóscopo.

   Meu chefe explodiu quando leu "Que droga é essa, Camilla?!" eu me espantei, porque até então não havia me dado conta do que havia escrito. Ele jogou os papeis sobre a mesa, e tentou não parecer extremamente aborrecido, pediu para que eu lesse tudo na sua frente. Li. E realmente, estava horrível. Não tive nem coragem de pedir à ele mais um dia, pois sabia que era minha obrigação escrever algo que prestasse até amanhã de manhã, algo que ele não demorasse nem trinta minutos para revisar e editar.

   Novamente, mais um dia estressante. No trabalho as coisas estavam corridas e eu não consegui escrever três linhas o dia inteiro. Ajudei uns colegas com algumas ideias e, enquanto eu dava mil e uma dicas para outros assuntos aleatórios, o meu ficava encostado na parede, debaixo de um relógio que parecia cada vez mais me apressar.

   Subi a rua cansada. O Sol estava escaldante, e eu precisava muito de um banho gelado para relaxar. Então reparei em uma porção de meninos com uma latinha vazia de farinha láctea, ou algo parecido, enrolada por um montão de linha, debaixo daquele Sol, pingando de suor, sem camisa e brigando um com o outro por espaço. Os carros que atravessavam a rua buzinavam, e os motoristas praguejavam os meninos por estarem tomando a passagem. Me sentei um instante na calçada, e fiquei a os observar. Corriam pra lá e pra cá, sempre com os olhos fixos no céu. Qual seria o entreternimento de ficar horas olhando um pedaço de papel voando pra lá e pra cá? Também olhei. E lá estavam umas dez, quinze, vinte pipas! E não vinham só da minha rua, mas de outras vizinhas também!

    De repente aquilo não era mais o céu, e os papéis deixaram de ser meros... Papéis. Vi um espaço repleto de pontos coloridos, nos quais todos brincavam um com outro, no qual nadavam e se comunicavam por gestos. Nos quais a infância era simples e divertida, como um soltar de pipas ou um brincar nas águas de um mar. E as cores comungavam com as nuvens, que pareciam ondas levando-as pra lá e pra cá, dando vida aos desenhos que se formavam. Como se fizessem um plano de fundo para o Sol e isso chamasse a atenção dos meninos. Eles corriam pra lá e para cá, em busca de uma posição para que uma pipa ficasse adjacente a outra. Era lindo! E aos poucos, as cores iam esfriando, juntamente com o céu que escurecia com a despedida do Sol. As pipas sumiam e aos poucos os meninos desconectavam-se daquele "sobremundo" e voltavam para suas casas. Quando percebi, já havia se passado uma hora e qualquer tipo de calor ou sensação térmica havia sido desfocada enquanto eu observava o céu. Levantei-me da calçada e entrei para a casa, maravilhada com as coisas que havia descoberto poucos minutos atrás. As coisas simples e magníficas da vida.


O céu azul, um montão de pontos coloridos, as nuvens são ondas e por mais estranho que pareça, vejo um mar de pipas.



"Mar de Pipas" SOUSA, Camilla. Revista 'O assunto', Ed. 156, 15 de Dezembro de 2012.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Sobre culpas e "perceberes".


   Foi então que entendi de fato que as brigas, as desavenças, as palavras expressas de formas rudes e todas as outras coisas - as quais julgo ruins - não foram de total culpa minha. Tenho essa mania de colocar a culpa em mim, para não me decepcionar com as atitudes das pessoas que gosto. Engraçado.. Me sentir culpada me deixa melhor. Mas você também teve culpa, na verdade, maior parte dela eu acho. Você me martirizou, jogou toda aquela coisa no ventilador pra cima de mim e me fez acreditar - fez mesmo - que eu era a responsável por suas dores de cabeça e brigas constantes com a sua família.

   A culpa era sua.

   Você se deixou transformar por coisas fúteis como status e dinheiro. Suas promessas de nunca mudar e continuar assim, do jeito que era só para prosperar nosso relacionamento foram vãs. Boa parte de tudo o que você disse foi em vão. Jogou algumas palavras fora e eu tive a infelicidade de guardar umas pra mim. Guardei principalmente as ruins e as que magoam, e sei porque o ser humano tem essa infeliz capacidade de lembrar do que é ruim mais facilmente do que é bom.

   Mas tudo bem. Que se dane esse seu comportamentozinho infantil e esse seu jeito imaturo de ver as coisas. Saiba que estou vivendo minha vida muito bem sem você. E que sua serventia agora é apenas se tornar inspiração para textos, os quais eu percebo a cada palavra quanto tempo perdi ao seu lado. E os quais também me sinto cada vez, 'mais' para você e para mim. Me percebo. Me valorizo. Me superiorizo porque sei que ficar sob a asa de ninguém vale a pena!

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Me sinto feia!



   Acho que provavelmente, a maioria das meninas atualmente não se sentem suficientemente bonitas. Ora, ninguém se acha completamente feio! Sabe como eu sei disso? Porque já me senti assim. Exclamava pra todos o quanto não gostava da minha aparência, porém quando me olhava no espelho.. Não me sentia daquela forma. Sabia que não era a mais bonita da escola ou do bairro, tampouco a que recebia cento e poucas curtidas em suas fotos do Facebook, mas não era digno de mim o posto de feiura. Eu sempre via em mim, mesmo sem querer, coisas que eu gostava muito e que eram aspectos fortes em mim. O olhar, o sorriso, o contorno dos lábios, a profundidade dos olhos... Qualquer coisa. Todos os dias me olhava no espelho, reparava nas coisas em mim que mais gostava, principalmente no rosto. Num dia eu via como o desenho dos meus lábios combinava com o meu sorriso; n'outro como o castanho-escuro casava perfeitamente com o tom escuro dos meus cabelos. E aos poucos... Fui abusando dos meus pontos fortes!

   Nas festas que geralmente me convidavam e eu não ia, justamente porque sabia que só iriam pessoas bonitas e eu me sentiria 'fora' dos padrões (sem contar que os meninos nem olhariam pra mim), resolvi ir! Coloquei um batom vermelho, uma maquiagem legal com um delineado preto pra combinar e usei aquelas roupas que eu sempre quis usar, mas tinha vergonha. Independente se as outras meninas eram mais magras ou tinham mais corpo que eu, não importava! Elas teriam uma forte concorrente e os meninos mais uma pretendente! E foi atraindo olhares, que aos poucos, não só me vi diferente, mas me senti assim!

   Pois é. Passando minutos e minutos em frente ao espelho me julgando - literalmente - que eu cheguei a conclusão de que sou linda! E aqueles que não percebem isso, me desculpem, mas precisam refazer seus conceitos de beleza!

sábado, 15 de dezembro de 2012

2min: Meio-eu, meio-mundo.



   Tenho andado um pouco atrasada, um tanto distraída e muito distante. Eu sei, e a culpa é toda minha. Mas eu cansei, eu juro que cheguei no ápice de toda aquela vontade incessante de alcançar uma quase-perfeição que não era e nunca foi minha. Na verdade, nada em mim é realmente meu. Sou uma junção de personalidades que se agarraram a mim conforme o tempo. Sou meio-eu, meio-mundo. Acho que muita gente acabou se tornando assim. O sofrimento nos ensina muita coisa. A chorar, a esconder, a ser forte e o principal: a sorrir, independente de qualquer coisa. (Camilla Sousa)

Só não era você.



  Por quê você se foi? Eu não entendo. Eu juro que passei horas revendo minhas ações e tentando encontrar nelas um ou alguns motivos plausíveis para você ter ido embora. Estava tudo indo tão bem... Nós estávamos felizes, minhas amigas viviam comentando que você era exatamente o que eu precisava e que nunca tinham me visto tão bem como eu me encontrava. Lembro que muitas vezes desmarquei minhas reuniões com elas só para ficar contigo. Elas ficavam bravas, resmungavam... Mas no fundo sabiam que era o amor que me dopava, me embriagava e viciava cada vez mais. 

   Eu me sentia tão plena... Não haviam motivos para que algo desse errado. Nossas vidas estavam se encaminhando, você trabalhava e estudava e eu também.. Apesar da rotina cansativa, sempre dávamos um jeito que nos vermos todos os dias, inclusive no fim de semana. Você sempre trazia refrigerante e chocolate pra mim, comprávamos pizza e víamos filmes - os quais muitas vezes nem assistíamos. Você dizia que eu era tudo o que você sempre quis e precisou e que não me deixaria nunca. E olha só...

   Engraçado como eu confiei cegamente nas suas promessas e fiz delas minhas também. Estava disposta a dar o melhor de mim pra nós e por nós. E dei. Quando as brigas começaram e você tornou-se ausente quase todos os dias e até mesmo quando nos víamos, eu dei o melhor de mim. Corri atrás, entendi e não discuti um minuto sequer. Eu procurei motivos que explicassem o seu estresse ou a sua falta de vontade de me ver. Foi aí que comecei a duvidar se aguentaria..

   Procurei mil e um motivos pra não chorar por você. Não queria pensar e muito menos agir na hipótese de te perder. Você tinha se tornado tudo e era como se eu estivesse perdendo uma parte de mim... 

   Muitas vezes enquanto eu voltava de algum lugar com meus amigos, tocavam algumas músicas na rádio que me lembravam nós dois. Eu queria chorar, mas me segurava porque preferia que ninguém soubesse o quanto eu sofria por nós. Eu andava pelas ruas e me perguntava se eu ainda teria os seus dedos entrelaçados nos meus enquanto atravessávamos alguma avenida. Eu olhava nossas fotos e me questionava se algum dia eu as apagaria do meu celular.

   Foi aos poucos, foi te perdendo aos poucos e negando pra mim mesma que estava de fato tudo se acabando que eu percebi, com o tempo, que realmente tudo havia se disssipado. Que eu nunca mais te teria nos meus contatos recentes no celular, que aquela aliança bonita que compramos nunca mais seria usada por mim, que eu nunca mais teria suas ligações perdidas no meu celular e que nunca mais iria dizer que te amava novamente.

   Será que eu ainda te amava?

   Acho que te amei muito. Talvez aquele meu velho conceito sobre amor ser um só estava errado. Eu amei, mas você me fez matar esse amor. E eu ainda o fiz implicitamente, sem querer.. O sofrimento apaga algumas coisas em nós.

   Mas quer saber? Revendo todos os fatos e analisando novamente, eu não fiz nada de errado. Eu fiz o que pude e quem sabe você também fez... Quem sabe você também não chorou ou quebrou a cabeça por nós? Não posso ser tão egoísta a ponto de pensar que você não lutou, nem que por alguns minutos.

   Só não era você. Não era pra ser.

   E quer saber? Mesmo com todos os pontos bons e as boas recordações de nós, agora eu sei o quanto você está melhor sem mim, e eu muito mais sem você.

domingo, 28 de outubro de 2012

Sobre esquecer, apostos e hipérboles. Ah, e você... De novo.



   Já faz um tempo que eu não tenho escrito sobre você. Acho que as minhas preces para que eu te esquecesse foram ouvidas e finalmente me sinto – um tanto – livre de todo aquele afeto e carinho – não amor – que eu sentia por você. Ou achava que sentia.   Saiba bem que, muitas vezes, eu até olho para trás com saudade daquelas tardes inteiras em que conversávamos, ríamos e achávamos que estávamos apaixonados um pelo outro.   De fora, agora, fico analisando a situação. Tenho feito isso antes de dormir e ao acordar, e cheguei a conclusão de que você, muito provavelmente, nunca gostou mesmo de mim. Eu sempre soube que não daria certo, pra depois não me dizerem que acreditei demais. Mas no fundo eu quis tanto, que esqueci que aquilo também dependia de você pra acontecer.   E você não quis que acontecesse.   Você nunca quis.   Mas agora eu tô bem. Te vejo e não sinto mais absolutamente nada – hipérboles sempre reforçam o meu "não acreditar" – e encontrei alguém que resolveu me fazer mais feliz.   Agora sei que aquela felicidade que eu não tinha não era culpa sua. E você não era motivo de felicidade. A felicidade está em mim.   E ela só aumenta quando encontro alguém que a vê em mim – também –.


terça-feira, 2 de outubro de 2012

Não, eu não estou apaixonada pelo Ed.


   Ed nunca teve o mundo próximo de suas mãos, as coisas sempre temiam serem mais difíceis e mais impossíveis. Pra ele.
   Um dia, eu estava pegando o ônibus como de costume, e o percebi sentado no fundo, com um par de fones de ouvido cravados nele, como se a última coisa que ele desejasse ouvir fosse o barulho, senão da sua playlist.
   Eu, que não sou abobada nem nada, me aproximei. Ele era bonito e eu quis por um instante puxar uma conversa com ele. Mas tive medo de tirá-lo do seu “mundo” e acabar me dando mal. Mesmo.
   Queria contar a ele o quanto sei sobre sua vida, sua personalidade, seus sonhos e o quanto ele luta para realizá-los. Queria poder dizer o quanto é injusto vê-lo naquela multidão e não poder correr para abraçá-lo, arrancar-lhe suspirou ou ter por ele um beijo roubado. Que eu escrevi três canções nas quais tem mais ele que algumas notas. E que a música Dias Atrás do CPM 22 é colocada propositalmente por mim no celular, quando quero lembrar dele.

   Não, eu não estou apaixonada pelo Ed.

   Mas eu gosto muito dele.

   Gosto do seu boné da New York, do seu All Star surrado e velho sempre com os cadarços desamarrados, gosto do seus olhos castanhos escuros e do cheiro do seu moletom. Da cara que ele faz quando não entende algo, do seu gênio forte e da sua voz afeminada. Até disso eu gosto. E gosto pra valer.

   É uma pena que ele não tenha a mesma admiração por mim.

   E não cogite, nem por uma vez, lá de cima, olhar nos meus olhos e dizer melodicamente todas aquelas palavras mágicas que ninguém entende além de quem as pronuncia e para quem elas foram ditas.